Entre os dias 24 e 29 de agosto, Marcelo Soletti esteve na Colômbia para uma série de agendas e discussões sobre mobilidade urbana, tecnologia e gestão das cidades. Ao longo desses encontros, um ponto defendido por ele apareceu de forma muito clara: não é possível pensar em mobilidade de maneira dissociada da segurança.
Essa relação se torna ainda mais evidente quando se fala em cidades inteligentes. O conceito de smart city vai muito além da instalação de equipamentos ou da adoção de novas tecnologias. Uma cidade verdadeiramente inteligente é aquela capaz de estruturar informações, integrar diferentes fontes de dados e transformá-las em inteligência para orientar decisões, antecipar problemas e melhorar a vida de quem circula diariamente por seus espaços.
No trânsito, essa capacidade tem impacto direto tanto na eficiência dos deslocamentos quanto na proteção das pessoas. Dados produzidos nas vias podem contribuir para compreender padrões de circulação, identificar situações de risco, apoiar a fiscalização e fortalecer ações de segurança pública. Quanto maior a capacidade de integração e análise dessas informações, mais qualificada se torna a atuação do poder público.
As discussões na Colômbia também resgataram uma experiência que Soletti acompanhou de perto no Brasil. Por volta de 2017 e 2018, Porto Alegre começava a apresentar resultados expressivos com o cercamento eletrônico. Naquele momento, a utilização integrada de tecnologia e informação representou uma mudança importante na lógica de atuação da segurança pública, especialmente na identificação e recuperação de veículos.
Quase uma década depois, encontrar na Colômbia soluções e debates que partem de princípios semelhantes mostra como algumas iniciativas conseguem antecipar movimentos que, posteriormente, passam a fazer parte de uma discussão muito mais ampla sobre gestão urbana.
Naturalmente, a tecnologia avançou de maneira significativa nesse período. Os equipamentos são mais sofisticados, a capacidade de processamento aumentou e hoje existem possibilidades de integração e análise que seriam difíceis de imaginar há nove anos. Mas o princípio permanece atual: o valor da tecnologia não está apenas no dado que ela produz, mas no que a gestão consegue fazer com essa informação.

É justamente aí que está uma das principais diferenças entre uma cidade equipada e uma cidade inteligente.
Instalar câmeras, sensores ou outros dispositivos é apenas uma parte do processo. O verdadeiro avanço acontece quando essas informações deixam de funcionar de maneira isolada e passam a compor uma estrutura capaz de apoiar políticas públicas, orientar decisões e gerar respostas mais rápidas e eficientes para problemas concretos da população.
A experiência na Colômbia também reforçou a importância da troca entre países que enfrentam desafios urbanos semelhantes. Para Soletti, levar experiências construídas no Brasil, conhecer outras soluções e confrontar diferentes modelos permite ampliar a visão sobre aquilo que pode ser aperfeiçoado em nossas próprias cidades.
Mais do que importar tecnologias ou reproduzir modelos, trata-se de compartilhar aprendizados e compreender como cada solução pode responder às características e necessidades locais.
No fim, uma cidade inteligente não é definida pela quantidade de tecnologia que possui. É definida pela capacidade de conectar dados, gestão, mobilidade e segurança para tomar decisões melhores.
E, principalmente, para fazer com que a tecnologia instalada nas ruas se traduza em algo que realmente importa: cidades mais eficientes e mais seguras para as pessoas.



